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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E LÁ EM CIMA, O CASTELO EM FESTA



 
- Ô bicho, você foi muito cedo, cara. Sei que todos vão cedo, mas você exagerou! – revoltei-me.

- Ô Quintella, eu sei, foi mal. – João Lenjob, Galo forte, tenta se desculpar, com aquele singelo sotaque mineiro; boina, camisa do Atlético Mineiro, um violão; sem a bengala.

- Pô, brother, agora não sei se vai ser mais fácil ou difícil nos falarmos. Eu tento daqui e você tenta daí. Tempo agora você tem. Seu Castelo, o do Poeta, o do artista, que você é – múltiplo artista – vai ser o mais acessível ainda. Vejo daqui, de um modo que não sei explicar, que John Lennon e Antônio Carlos já estão lá na porta, te esperando. Os dois com uma viola. Mais tarde o Arnaud Rodrigues e o Chico Anysio apareceram por lá, eles estão ainda um pouco ocupados conversando com o Millôr.

- Ô bicho, é mesmo, tô até meio encabulado.

- Ora, meu cumpádi, até parece! Você, encabulado? Continua com seu grande humor. Ó, prestenção, aí não deve ter essa babaquice de se vexar e se intimidar com nossos ídolos daqui de baixo. Aí em cima a relação deve ser outra, suponho. Difícil vai ser aqui para gente. E Nova Era, como é que ai ficar? E o Maletta? E aqueles botecos do Gutierrez em BH? E os discos e as cachacinhas no La Rara?

- Ah, mas se eu puder eu passarei por lá. Também não sei muita coisa, Quintella, tô chegando aqui agora.

- Compreendo, quer dizer, tento compreender. Para aí que pretendo, que todos pretendemos. Todos aqueles, meu amigo, meu primo – por que não? – todos aqueles que você fez sorrir e se emocionar. Todos aqueles que você ensinou; que você, incansável, buscou para que conhecêssemos. Poxa vida, quanta intensidade em quatro anos que convivemos.

- Pois é, bicho, parecia que sempre havíamos sido amigos.

- As tardes de domingo, quando eu e Ana Letícia íamos para a saideira de BH, e depois voltava para minha casa. Aquelas longas conversas despretensiosas e sadias com João, Juquinha, Tiana e Orminda. Cervejas, pães de queijo, esportes, Big Brother.

- Ô! Nem me fala, sentirei saudades de estar fisicamente, materialmente com vocês...

- É, porque bem sabe que além de sua obra, seu trabalho está bem vivo em todos nós... Cara, que droga, você foi cedo demais.

... Vai lá Joãozinho, tô vendo daqui quatro caras chegando lá no se Castelo. Dê uma olhada. Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Hélio Pelegrino e Otto Lara Resende. Ih! Mais um, o Drummond! E outro, seu xará, o Rosa. Vai lá, um bom papo agora, como sempre. E nós aqui aguentamos o tranco.

A gente se fala.

Itaipava, Petrópolis – 15 de outubro de 2012.

5 comentários:

  1. Linda homenagem, que só você poderia ter escrito deste jeito, e você sabe que se o Joãozinho tivesse lido isso, teria morrido de rir e se enchido de vaidade e orgulho pelo grande amigo escritor primo que você sempre foi pra ele!
    Beijo grande.
    Saudades.
    Ana.
    www.mineirasuai.com

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  2. Adorei, parabéns pela homenagem!

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  3. Muito triste essa noticia, foi um grande poeta , eu o vi criança na casa da minha madrinha , que por sinal ,era sua mãe. Brinquei com ele e o Osvaldinho seu primo, na csa de D. Lidia carneiro.

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