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domingo, 5 de dezembro de 2010

MAIS UMA DE "ROCK"




COMBATE

Eu já sabia da polêmica. Um não gostava da opinião do outro sobre Guns ‘n’ Roses (doravante, Guns) ser uma banda rock-farofa. Eles se encontraram com a galera no Bar Arco-Íris, Lapa-RJ. Parte do pessoal iria para a Rio Scenarium, outra iria para o Teatro Odisseia para assistir a uma sequência de bandas de rock. Minha tendência era ir para este último evento, mas alguns me sugeriram ir à Casa Hombu, pois um DJ alternativo seria a atração do local. O preço “accessível”, a cerveja de garrafa e a curiosidade intensa em saber do que se tratava um DJ Alternativo levaram-me para seguir a Terceira Via.

Entrementes, os dois da discussão antiga voltaram a se enfrentar e eu ali, latão na mão, tentando entender deveras o ponto-chave do debate:

- É farofa sim! Todo mundo sabe, todos conhecem até quem não gosta e rock gosta de Sweet Child O’ Mine!
- Não é farofa nada! Algumas músicas podem ser, mas isso não quer dizer que a banda é ruim. Guns é muito bom!
- Tem razão, – eu disse – a banda pode ser farofa, mas pode ter qualidade. Smoke on the Water, Come As You Are, Cocaine e... – interrompido.
- Tudo isso farofa! É farofa!
- A música ou a banda?
- A música... e a banda também! Ah, não sei. Só sei que é farofa!
- Então, - tentei intervir de novo – há um certo reducionismo em definir uma banda ou música de farofa somente e tão-somente por causa de sua popularidade, digamos assim.

Nenhum dos dois me ouviu. Iniciaram uma disputa de quem sabia mais de bandas não-farofas:

- Conhece Boston?
- Claro, e conhece Cinderella?
- Não.
- Tá vendo? E aí, conhece Misfits?
- Também não, conhece Kansas?
- Óbvio que eu conheço! Doghouselords? Fairport Convention?
- Aí não, quem conhece banda é ele aqui – eu, no caso. E Poison? Conhece.

E ainda no caso eu ficava olhado para os dois alternadamente a cada desafio lançado. Só Kid Vinil seria o melhor árbitro de tal peleja. Continuavam:

- Putz, claro, é meio farofa mas é legal...
- Ah! Viu só! E Skid Row?

Aí mandei a questão, na minha vez de interrompê-los. Simulei um acorde de guitarra bem heavy metal:
- E Tchaikovsky? – pléunnn – Conhecem?
- Não...
- Essa não...
- Mas, peraí, já ouvi falar sim... Ah! Bobo.
- Pô, brother, não confunde a gente!
- Pô digo eu, a discussão não iria a lugar nenhum. É a vez de quem pegar a cerveja?
- Sua mesmo.
- Podes crer.

Quando voltei, outros tinham se juntado à roda e a celeuma anterior ameaçava voltar, mas com outros participantes. Entreguei as latinhas para os que me pediram e sugeri:

- Então, procure na Internet a Marcha Eslava, de Tchaikovsky. É meio farofa, muita gente conhece ou já a regeu, até na China, mas tem qualidade. É estilo hardcore melódico. Mas já a música 1812 é heavy metal!

Opa, esquecia-me do DJ Alternativo, que na verdade eram dois. Não só as músicas como o visual de ambos eram alternativos, mas isso será descrito em outra ocasião.

Petrópolis, 5 de dezembro de 2010.