Esta é clássica e vale um relato:
Uma homenagem a Ray Bradbury e a Jaime Guimarães.
Eles iam para o Novo México - EUA, terra conhecida deles nos últimos anos terrestres. Mas começou a ratear o motor da aeronave Grainat, acharam que era o atrito com a atmosfera, mas na verdade pode ter sido logo na entrada da atmosfera.
- Te falei, Plinx, para entrar na atmosfera da Terra tem que ter as manhas.
- Pô, Comandante Letzon, eu entrei certinho, mas é que pegamos um som do Pink Floyd, A Saucerful of Secrets, numa estação de rádio, aí me desconcentrei. Já ouviu?
- Cara, não se pode errar em uma viagem como esta! Vamos para Rosewell, lá a gente vê o que se pode fazer.
- Já passamos de lá, - disse Plinx, temeroso - nos resta Cuzco, caminho antigo. Eu sei que devia ter virado à esquerda em Albuquerque. E estamos longe de Teresópolis... e do Novo México!
- Você está maluco, Plinx? Vamos para a Sibéria então, lá é menos quente.
- Passamos de lá também, quando derrapamos na escrotosfera. Peraí, xô dá uma quebra de asa aqui e... opa, vamos ter que parar. Vou deixar na banguela e ir suave.
Letzon espalma a mão em sua testa com violência e se lamenta em voz audível para Plinx:
- É Estratosfera, Plinx! Que mal fiz a Hunx (Deus)? Já dizem que não somos um planeta... Meu Hunx, o que será de Plutão agora? Estes terráqueos jamais entenderão nossa magnitude no sistema solar. Era para ser uma missão simples, Plinx!
- Calma Let (íntimo do capitão), aqui nessa área há bons mecânicos, vamos consertar isso tudo, deixa comigo. Eu tardo mas não falho.
O céu brilhou por 4 centésimos no tempo terrestre. Plinx se exaltou num misto de alívio e alegria:
- Olha lá, comandante Letzon, uma oficina!
- Onde?
- Ali ó: "Consertamos Disco Voador"...
- Seu filho da mãe, hehe, eu sabia que aqueles seus estudos de línguas terráqueas valeriam de alguma coisa. Vamos, pouse lá.
E pousaram em frente à humilde oficina. Era domingo. " Vai lá, Plinx, vc que sabe a língua deles". Plinx teve que ir. Começou com o discurso tradicional de que vinham em paz, mas queriam só consertar a Grainat. Saiu da oficina um senhor, que saía de seu sono. Apresentaram-se. "Prazer, esse aqui é o comandande Letzon, sou Plinx. "
- Taaarde... cumpádi. Magela, Geraldo Magela. Diz o problema, seu Plinquis.
Plinx sentiu alguma dificuldade no linguajar, porém anunciou o problema enquanto se encaminhavam para a Grainat e abria o compartimento do motor.
- É que quando a gente transpunha a atmosfera começou a ratear, não engatava as velocidades terrenas, você sabe como é. A gente ia para Rosewell, mas...
- Tô sabendo, vocês entraram pela Sibéria, né? Ali é difícil, é quente.
- É.
- Já sei o que é. - Magela, sobre a porta do compartimento do motor, observava com olhos sidero-mecatrônicos aquele caos.
Cofiou a barba mal feita, expirou forte e pediu para um deles ir à cabine. Letzon assumiu essa tarefa.
- Então, quando eu disser "vai" você liga a nave, tá bom?
Plinx traduziu para o comandante e ele teve que aceitar a mudança de função.
- Então... péra um bocadinho... isso... agora. Vai!
A Grainat foi ligada, mugiu um pouquinho, tossiu, emitiu sons metálicos, os cachorros a redondeza latiram. Magela puxava um fio, apertava um e outro botão, raspava o dedo em um sensor desconhecido para a humanidade. Sai de repente e alertou:
- Continua, continua!
E a barulheira deu lugar a um som aveludado da Grainat. Era o som perfeito da aeronave. Agora podiam viajar o universo inteiro.
- Quanto é, Geraldo Magela?
- Nada não, isso é coisa simples. Mas ocês vão para onde mesmo?
- Rosewell.
- Ah, sim, Olha, pode ir tranquilo. O tempo está bom para lá.
- Mas Magela, aceite então um agrado - disse Plinx. Tome esse "trem" aqui.
- Nem precisava, seu Plinquis. Vão em paz, é a missão de vocês né? Sempre paz. Mas aqui entre nós não tem muito disso não, bem raro.
Adeus seu Letição!
Plinx entrou na nave e Letzon acelerou para cima, sumindo no céu.















